Construções e reformas exigem cuidados rígidos de segurança


Publicado por hagah em 06/09/2012 , atualizado em 20/01/2015

Empresários que pretendem investir em construções ou famílias que desejam reformar a casa ou visitar algum empreendimento na planta precisam estar cientes dos cuidados a serem tomados em meio a obras. Quedas, cortes e acidentes são comuns e ninguém está livre, mas, com o máximo de cautela, eles podem ser evitados.

O engenheiro mecânico e de segurança do trabalho da LSMi Engenharia, Carlo Vitola, esclarece que a segurança de uma construção parte de dois pontos principais: a fiscalização no canteiro de obras e o conhecimento, tanto dos operários, como dos gestores, das Normas Regulamentadoras definidas pelo Ministério do Trabalho.

Segundo Vitola, a área de gestão vem sendo cada vez mais valorizada na hora de iniciar um empreendimento. "Como as produções são realizadas por grupos muito grandes, com pessoas que, na maioria das vezes, nem se conhecem e têm baixa escolaridade, é imprescindível que alguém seja responsável por coordenar todos os trabalhadores", afirma.

Para o engenheiro de segurança do trabalho da GAS Consultoria e Assessoria, Anselmo Souza, o primeiro passo a ser dado para evitar qualquer empecilho é a contratação de trabalhadores com experiência em construção civil ou que sejam, no mínimo, muito bem treinados para aquele tipo de serviço. Souza lembra que um dos principais problemas que ele encontra nas obras que fiscaliza são profissionais exercendo uma função para a qual não estão aptos.

Outro fator que causa grande transtorno é o descaso dos donos das obras com a segurança dos funcionários. "Os empresários devem exigir que as normas de prevenção sejam cumpridas. São eles que têm de cuidar para que os operários não se machuquem", relata.

Pelo desejo de economizar, alguns empreendedores não investem em equipamentos básicos, como elevadores específicos para construções, ou em itens de primeira necessidade, que dão boas condições de higiene e alimentação aos trabalhadores braçais. "Às vezes acontece de contratarem operários que vêm do norte ou nordeste. Como eles não têm o mesmo biotipo dos gaúchos, o equipamento de segurança fica folgado e os atrapalha. Com isso, muitos evitam usá-lo e ninguém providencia novos equipamentos", reclama Souza.

Em agosto deste ano, um caso ocorrido no Estado do Rio de Janeiro chamou a atenção do país inteiro. Um operário de 24 anos sobreviveu após ter a cabeça perfurada por um vergalhão de dois metros de comprimento. Na opinião de Souza, a forma de evitar este tipo de acidente é a colocação de uma espécie de bandeja de madeira, fixada pouco acima dos funcionários. Assim, os objetos tendem a cair sobre esta madeira, evitando que alguém se fira.

Se a opção for pelo serviço terceirizado, é importante que se tenha confiança nos contratados. Muitas vezes, os empregados não têm compromisso com as normas de segurança, já que, em caso de acidentes, a responsabilidade é do contratante. Além disso, a fiscalização está deficiente. "A quantidade de seguranças do trabalho que atuavam na década de 1980 é semelhante ao que se encontra atualmente", alerta Souza.

Porém, não são apenas operários que circulam por ambientes em obras. Inúmeras construtoras abrem espaço para que as pessoas visitem o espaço. Neste momento, o local deve estar preparado para receber, inclusive, idosos e crianças. É fundamental tapar os buracos e não deixar expostos pregos e cacos de vidro.

De acordo com o engenheiro Carlo Vitola, as visitas têm de ser guiadas por quem conhece bem o canteiro de obras e o espaço de visitação deve ser delimitado a ambientes que não exponham as pessoas a riscos iminentes.